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ESTUDO DE CASO

Page history last edited by neila goulart 2 years, 7 months ago

 

 

ESTUDO DE CASO

 

 

 

 

Este caso, marcou muito todos que se relacionavam com Ana, pois foi a Escola de Educação Infantil, que primeiro percebeu suas dificuldades, e então passou a tentar ajudá-la de todas as maneira.

 

 

Ana, hoje tem 9 anos e há três anos atrás foi aluna de nossa Escola, na turma de pré-B, no ano de 2006. Atualmente, estuda numa Escola de Ensino Fundamental, no bairro onde mora.

 

 

Ana é filha única do segundo casamento de seu pai. O pai trabalha de serviços gerais em uma pequena empresa. A mãe, cuida da casa e de alguns animais que restaram do sítio onde moravam, como, cavalo, galinhas e porcos.

 

 

A mãe de Ana procurou a Escola para matricular a filha. Como de costume, antes da entrada da criança, é realizada uma entrevista de anamnese, onde busca-se ver como está sendo o desenvolvimento da criança desde seu nascimento. A mãe nesta entrevista relata que sua gestação foi tranqüila, e ocorreu de parto normal. Ana mamou apenas 2 meses, pois sua mãe teve “sapinho” no seio e comentou que doía muito quando Ana mamava. Refere que seu desenvolvimento foi normal, falando aos 8 meses e caminhando com 1ano e 6 meses. Desde pequena dorme na cama junto com os pais, e ainda aos 6 anos usa fralda para dormir. Alimenta-se bem, embora prefira leite na mamadeira.

 

 

Na turma de Pré-B, haviam 18 crianças, todos na faixa etária de 5 à  6 anos. Ana era uma menina tímida, chorava muito e mostrava resistência em afastar-se da mãe. Porém, passado algum tempo foi ganhando confiança, adquirindo auto-estima e relacionando-se melhor com os colegas de sala.

 

 

Chegava a Escola, guardava sua mochila, cumprimentava a professora e procurava alguma colega para brincar. Mas dificilmente interagia nas brincadeiras, porque nunca conseguia entender as regras propostas por eles para brincar.

Neste ano, a professora de Ana, estava trabalhando o Projeto “Literatura Infantil”. Um projeto que englobava a linguagem na expressão oral, escrita, gráfica e também a matemática. Percebia-se que Ana apresentava dificuldades em relação aos demais colegas, e um dos aspectos que se destacava era a pobreza de seu vocabulário. Tudo o que lhe era proposto, necessitava de incentivo da professora, nunca conseguia relatar um personagem, ambiente, fato, e ou, seqüência lógica da história. Seus relatos fugiam do assunto discutido.  Nestes momentos percebia-se claramente que era diferente do grupo, e precisava ser respeitada na sua diferença, nas suas limitações. Foi ai que a professora tentou resgatar este lado através de assuntos relacionados com seu meio, que era o de animais. Ana trouxe de sua casa uma coleção de livros de animais. Notou-se que ficou um pouco mais atenta, participativa, e algumas vezes conseguia compreender algumas idéias do texto, pois era do seu convívio diário, mas mesmo assim, a sua distração era algo preocupante.

 

 

Demonstrava dificuldades de concentração nos trabalhos de sala de aula, como: pintura, colagem, jogos, etc. Desviava sua atenção para toda e qualquer situação, como conversas paralelas.

 

 

Seus desenhos eram pouco elaborados e sem formas. Gostava muito de rabiscar com o lápis preto. Sem apresentar qualquer interesse no que estava fazendo.

 

 

Na área cognitiva, quanto a parte que envolvia a escrita, identificava apenas o “A” de Ana, e depois de muito trabalho de memorização, identificava a ficha com o seu nome.

 

 

Durante a hora do jogo, Ana não entendia as regras dos mesmos, sendo que a professora precisava sempre sentar no grupo em que ela estava, para poder auxilia-la. Na execução dos trabalhos manuais, Ana dificilmente entendia o que era para ser feito, era necessário que a professora ficasse ao seu lado para que ela fizesse o seu, era preciso explicar-lhe passo a passo. E mesmo assim, muitas vezes não conseguia concluí-los, então os colegas acabavam ajudando e fazendo para ela.

 

 

A professora, profissional comprometida com seus alunos, muitas vezes procurava trabalhar e adaptar o Projeto aos interesses que Ana demonstrava, adaptando  a seu ritmo e a sua bagagem de aprendizagens. Era preciso ajudá-la a progredir e a ter experiências significativas de aprendizagens, partindo de situações concretas, de histórias que a remetessem a seu ambiente familiar, e com isto "provocando" Ana a relatar, pensar, refletir, a partir do concreto, do conhecido. Mas que pudesse instigá-la, como diz Moran (2008), a "produzir novas sínteses, fruto de descobertas".

 

 

E este é sem dúvida o grande desafio: “trabalhar com a diversidade e buscar respostas para as diferentes necessidades educacionais de cada aluno”. Isto é INCLUSÃO.

 

 

Diante do exposto, a professora e a equipe diretiva da Escola, resolveram chamar a mãe para uma reunião para conversar sobre algumas questões e fazer alguns encaminhamentos. Nesta ocasião buscou-se explicar para a mãe que Ana precisava ser estimulada a “crescer”, deixar de fazer coisas que a infantilizava, como por exemplo, usar fraldas e tomar mamadeira. Fato este que Ana expôs para a professora, referindo que a desagradava. A mãe afirmava que era ela (Ana) quem pedia para tomar mamadeira ou colocar a fralda para poder dormir mais a vontade. Então combinou-se de tirar a fralda e usar uma caneca para ela tomar o seu leite. Como incentivo, foi presenteado pela professora uma caneca pintada à mão para que ela levasse para casa. Também foi exposto para a mãe que Ana estava com certa dificuldade de acompanhar a turma, pois distraía-se com muita facilidade, e que em função disto, estávamos a encaminhando para uma avaliação, junto com a assessoria de Educação Especial da Secretaria de Educação do Município. A mãe, apesar de negar que Ana tivesse alguma dificuldade, mostrou-se, neste momento, disposta em auxiliar e a levá-la para avaliação.

 

 

Depois desta conversa, Ana  mostrava-se mais feliz em não estar mais usando fraldas e nem a mamadeira. Fato este que não durou muito tempo, pois Ana tempos depois, tristemente relatou que estava novamente as usando.

 

 

Quanto à avaliação, a mãe a levou em algumas sessões, mas depois de algum tempo não compareceu mais. Então a assessora, veio a Escola ainda algumas vezes para observa-la. Esta não pode concluir sua avaliação, mas apontava para algumas dificuldades importantes que a prejudicaria quando passasse para o Ensino Fundamental.

 

 

Passado já 2 anos, sabe-se que Ana permanece ainda na 1ª série do Ensino Fundamental, e segundo informações, ainda não está fazendo parte de nenhum serviço educacional especializado.

 

 

Ao realizar uma visita a Escola onde Ana está freqüentando, tive a oportunidade de falar com sua professora. Esta informou-me que está bastante preocupada com Ana, uma vez que apresenta muitas dificuldades. Quis saber como tinha sido sua passagem pela outra escola, e relatou que Ana atualmente já consegue reconhecer todas as letras do alfabeto, e recentemente começou a juntá-las, formando sílabas. Este é um grande avanço, já que ela, nesta escola, já freqüentou o 1º ano, do ensino dos 9 anos,  foi para o 2º e está repetindo pela segunda vez. A professora  conta que Ana tem grande dificuldade de concentrar-se, dispersa-se com muita facilidade e precisa de uma atenção especial da professora, o que ela passa a exigir, exclusividade,  durante todo o tempo que está em aula. Percebe-se também que apresenta dificuldade de fixação, no momento em que a professora explica individualmente a atividade, Ana parece compreender  e começa a realizar a tarefa, mas passado algum tempo, esquece tudo, e não consegue mais concluí-la.

 

 

Ana até a algum tempo não mostrava interesse em ler e escrever, mas a professora tem notado uma certa mudança, e atribui ao fato de sua mãe ter voltado a estudar e as duas estão dividindo o mesmo espaço para realizar os seus “temas”, fato que tem agradado Ana.

 

 

Quanto aos possíveis encaminhamentos dispensados a aluna até o momento, a professora não soube  informar, já que é nova na escola e está com Ana apenas alguns meses. Embora acredite que não tenha ocorrido nenhum acompanhamento ou encaminhamento para algum serviço educacional especializado. Foi relatado que a mãe de Ana, procurou a professora e informou que está muito preocupada com sua filha, pois esta tem queixado-se de dores na cabeça e vômito, fato este que a tem assustado. Com isto a professora solicitou que levasse Ana ao pediatra e que fosse investigado todas as possibilidades, das possíveis causas. Com isto a professora tem esperanças de começar estreitar melhor os laços que tem com a mãe, e poder fazer algum encaminhamento para uma possível avaliação neurológica, e auxiliar a mãe a compreender as dificuldades que sua filha está apresentando e poder ajudá-la neste sentido.  

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

 

Depois de todas as leituras, reflexões, trocas de experiências que tivemos na Interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Especiais, é possível ter uma visão mais aprofundada sobre a questão da inclusão no meio escolar. No caso de Ana, especificamente, a escola teve/está tendo um papel fundamental em sua vida. Desde sua primeira experiência escolar, podemos ver o interesse em ajudá-la a crescer, a desenvolver-se de maneira integral.

 

 

Sabemos que o desenvolvimento está intrinsecamente relacionado com a forma com que lidamos com o mundo e com os outros. Nossa história de vida está impregnada de integrações, de aprendizagens e de descobertas uns com os outros. Por isso a importância do convívio escolar. Auxiliar Ana neste processo é fundamental, para que possa conquistar sua autonomia e uma imagem positiva de si mesma. Cabe a Escola orientar e esclarecer a família quanto as dificuldades que a aluna apresenta, a conscientizá-los da necessidade de um trabalho/avaliação com profissional especializado  para que através de um diagnóstico possa-se atender e tratá-la, caso necessário, na busca de uma superação de suas dificuldades. A negação por parte da família somente atrapalha seu desenvolvimento. Também a orientação familiar, ajudará estas pessoas a se readequar quanto as necessidades individuais desta criança, e com isto, favorecer seu processo de crescimento, onde possa enriquecer suas experiências, aprender a lidar de forma positiva com a deficiência, e adquirir um manejo adequado que equilibre cuidado com autonomia.

 

 

Sob o prisma da Escola, é preciso que se exerça uma pressão, tanto na família, como no setor responsável pela inclusão dos alunos com necessidade educativas  especiais no Município (assessoria pedagógica), para que se cumpra o que está estabelecidos dentro da política de inclusão. Isto favorecerá que Ana possa vir a exercer o seu direito a um atendimento adequado a suas peculiaridades, e assim,  volte a ter um atendimento/avaliação para que definindo seu diagnóstico, possa receber uma ajuda mais precisa e efetiva, tanto a nível de um atendimento educacional especializado, quanto de cunho pedagógico, buscando com isto estratégias de ensino, capazes de auxiliá-la em suas aprendizagens.

 

 

 A Escola de forma geral,  precisa estar preparada para receber os alunos, e deste universo muito necessitarão um atendimento especial. Portanto é fundamental que a Escola tenha claro em seu Projeto Político Pedagógico a forma com que  irá trabalhar com a inclusão, pois é preciso que toda a comunidade escolar esteja engajada e ser conhecedora das diretrizes básicas da inclusão no espaço escolar, para que se crie um clima de parcerias e co-responsabilidade para o sucesso destas ações. Também se faz imprescindível que a escola repense seu modelo de currículo e avaliação, para que este esteja a serviço da construção de conhecimentos a partir de aprendizagens significativas e que estejam ao alcance de todos os alunos, respeitando suas diferenças.

 

 

Ao professor cabe repensar sua prática pedagógica, para que o espaço de sala de aula torne-se um lugar onde esteja presente valores básicos e indispensáveis para que se dê a inclusão, tais como: a cooperação, a solidariedade e o respeito às diferenças. Com isto é preciso destacar que o professor sozinho não conseguirá efetivar a tão sonhada inclusão, pois para esta se dar de fato, é necessário que toda a escola esteja envolvida no processo, pois o aluno não é deste ou daquele professor, mas da escola como um todo. Por isso se faz indispensável que se estabeleça estratégias de ação para que se garanta a igualdade de condições e direitos destes alunos em todos os âmbitos.

 

 

Ao poder público cabe agir no que tange aos investimentos nas políticas públicas de educação e saúde que dê conta de atender as necessidades de atendimentos dos alunos com necessidades educativas especiais. E investir na formação continuada dos educadores, para que estes possam cada vez mais se qualificar e com isto oferecer um trabalho de qualidade.

 

 

Todo este movimento de respeito à diversidade irá favorecer que esta geração que está sendo formada hoje  seja composta por sujeitos mais flexíveis, mais justos e mais humanos, pois terão pautado sua formação dentro dos princípios de solidariedade, da diversidade e da cidadania.

 

 

Infelizmente, no caso de Ana, todo o trabalho que foi iniciado na escola infantil não teve a continuidade adequada, pois houve uma ruptura tanto de atendimento quanto de trabalho, que de nada auxiliou Ana, pelo contrário, perdeu-se um  tempo riquíssimo, quase três anos, para que hoje se começasse a pensar em ajudá-la. Penso que este tempo todo, onde nada de concreto (atendimento) foi dado a Ana, possivelmente tenha lhe causado constrangimentos e sentimentos de incapacidade, pois teve que experimentar  uma reprovação no 2º ano, e com isto viu todos os seus colegas avançarem para outro nível e ela ficar para trás. O que demonstra que a Escola ainda não tem claro para seu coletivo o que de fato é um aluno com necessidades educativas especiais, nem possui uma proposta de inclusão consistente, capaz de ao olhar todos os alunos, perceber qual deles precisará de uma atenção especial para que possa superar suas dificuldades e dentro de suas características e limitações construir conhecimentos/experiências  significativas.

 

                 

 

Site consultado:  www.eca.usp.br/prof/moran 

 

 

 

Comments (5)

Daniela said

at 5:18 pm on May 7, 2009

Cara Neila,
Li com atenção e curiosidade todo teu texto e fiquei muito triste quando você esreve que Ana não teve o acompanhamento necessário, nem o estímulo da mãe para se independizar. Isso ocorre com mais freqüência do que gostaríamos. Você pode desenvolver um pouco mais a expressão "experiências significativas de aprendizagem". Estou bastante entusiamda com a tua construção do dossiê. No entanto, lembro que terá que continuar as atividades do dossiê a partir do estudo de caso escolhido - Ana. Você já pensou o que mais pode ser pesquisado sobre essa aluna?
Abçs,
Daniela

neila goulart said

at 10:56 pm on May 11, 2009

Professora Daniela!
Boa noite.
Estava pensando em ver como Ana está na escola de ensino fundamental, porque é perto de onde trabalho. Conheço a diretora da escola, e acredito que não será difícil ver como ela está; quais foram seus avanços e atendimentos...
Vou entrar em contato com a escola e depois lhe aviso.
Ok?

Um forte abraço
Neila

Daniela said

at 12:04 pm on Jun 20, 2009

Bom dia Neila,

Vejo que você acrescentou novas informações sobre Ana o que enriqueceu ainda mais seu dossiê. Acho que você já tem informações suficientes sobre seu estudo de caso e pode ir encaminhando seu dossiê para as conclusões. Como não tenho contribuições em relação ao conteúdo sugiro que você modifique a letra do texto e aumente a distância entre os parágrafos para que a leitura seja ainda mais fluente. Isso só valorizará mais ainda seu trabalho.
Excelente trabalho!
Abs,
Daniela

neila goulart said

at 11:53 pm on Jun 24, 2009

Ok, profi !!!
Agora na reta final, gostaria de lhe agradecer por todas as dicas e pelo seu empenho em nos mostra rmuitas coisas das quais não havíamos nos dado conta, mas dentre elas destacaria, o despertar para importância da inclusão para a formação de uma sociedade mais solidária e justa.
Esta interdisciplina me tocou e hoje meu olhar está mais aguçado, não para procurar "problemas" nas crianças, mas para encontrar estratégias/ alternativas de auxiliá-los a superar suas dificuldades/limitações, usando para isto a flexibilidade e o bom senso.
Um forte abraço,
Neila

Daniela said

at 6:40 pm on Jul 12, 2009

Boa noite Neila,

Falta apenas concluir seu dossiê que esta muito, muito bom mesmo. Parabéns!
Abçs,
Daniela
* Assim que você postar suas conclusões me avise por e-mail para que eu possa postar um comentário final.

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